26 de out de 2007

COMUNICADO HOLOCAUSTO ANIMAL

O Grupo “Pelo Fim do Holocausto Animal”, aqui representado na figura de seu responsável, torna público seus esclarecimentos a respeito das acusações que lhe foram impostas: http://www.afropress.com/noticias_2.asp?id=1371

1. Os princípios do Grupo Holocausto Animal não são frutos de uma teoria pessoal, mas de várias entidades e pessoas ao redor do mundo, que comungam dos mesmos anseios – Liberdade para os Animais! Nosso grupo é formado por pessoas de diferentes classes sociais, etnias, credos e religiões.

2. Este ideal deixa claro que somos “Abolicionistas” assim como foram aqueles que lutaram pela liberdade ao longo da história.

3. Jamais poderíamos ter sido acusados de fazer apologia ao racismo. O repúdio aos nossos ideais é uma visão estreita e mesquinha daqueles que não entendem o significado do termo Especismo.

4. Quando das afirmações em se comparar negros a cães e judeus a porcos, são totalmente equivocadas e infundadas. A comparação que queremos mostrar é a do SOFRIMENTO, que na nossa compreensão é igual entre humanos e animais. Os animais são capazes de sofrer, assim como os brancos, negros, judeus, orientais, não importando a etnia. Todo ser vivo é passível sofrimento.

5. Nunca tivemos a intenção de ofender a memória de quem quer que seja. Ao contrário, se fazemos alusão à escravidão e ao holocausto, mantemos em pauta os nefastos acontecimentos da história da humanidade que jamais devem ser esquecidos para que não se repitam, assim como fazem os judeus mantendo o museu do Holocausto.

6. Repudiamos toda forma de opressão aos seres humanos e animais. A voz da nossa consciência grita todos os dias em nossos ouvidos de que estamos no caminho certo. O caminho da paz e igualdade entre as espécies. Desculpem-nos aqueles que não são capazes de entender a nossa mensagem.

7. Agradecemos todas as manifestações de apoio, porém, não compactuamos com qualquer manifestação de ofensa ou ameaça dirigida ao site AfroPress. Se quisermos ser respeitados, temos que respeitar.

8. Reiteramos nossos anseios por um mundo melhor, com uma convivência pacífica entre humanos e não-humanos.

Fábio Paiva
PELO FIM DO ESPECISMO

23 de out de 2007

holocaustoanimal.org denunciado no Ministério Público

Grupo de defesa animal ofende memória de negros e judeus
Por: Redação - Fonte: Afropress - 21/10/2007


S. Paulo – Sob o pretexto de fazer a defesa dos animais, um grupo adepto do veganismo - uma corrente radical do vegetarianismo, que prega o não consumo radical de carne - ofende a memória de negros e judeus, vítimas do racismo e do nazismo.
Seus adeptos mantém na Internet uma página (http://www.holocaustoanimal.org/) em que exibem fotos comparando o holocausto com o abate de animais, em especial porcos, e também faz comparações bizarras e atentatórias à memória dos negros exibindo a imagem conhecida da Escrava Anastácia, personagem lendária e considerada santa pela devoção popular brasileira, colocada ao lado de cães com focinheiras.
A denúncia está sendo feita pela ONG ABC sem Racismo, que na semana passada (11/10) protocolou representação junto ao Ministério Público de S. Paulo, pedindo a abertura de investigação para apurar os crimes de apologia à escravidão e ao holocausto. A prática pode ser enquadrada como crime de racismo previsto na Lei 7.716/89, com redação dada pela Lei 9.459/97, que pune quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, e sujeita o infrator a uma pena de reclusão de dois a cinco anos e multa ““.
O responsável pela ONG seria Fábio Paiva, morador no Ipiranga, em S. Paulo, não foi encontrado pela Afropress.

Imagens chocantes
As imagens colocadas na página da Internet parecem ter como propósito chocar, porém, as palavras não são menos fortes. Fotos de fileiras de judeus mortos no campo de concentração de Treblinka são colocados ao lado de porcos abatidos. Na mesma foto, a pergunta: “Qual a diferença?”
No caso da Escrava Anastácia que, segundo conta a história, foi sentenciada por um senhor de escravos, inconformado com a recusa da mesma em com ele manter relações sexuais, a usar uma máscara de ferro, que seria retirada apenas para que fizesse suas refeições - o que acabou provocando sua morte por maus tratos - as fotos de cães com focinheiras vem acompanhadas da afirmação. “Qualquer semelhança não é mera coincidência”.
“Curiosa, perversa e tétrica a associação subliminar que o Representado (Fábio Paiva) faz associando as imagens de judeus vítimas do holocausto a porcos e de negros a cães. Tais práticas são degradantes e ofensivas à história e ao sentimento de auto-estima da população negra e atentatórias às vítimas do holocausto nazistas e suas famílias, bem como aos sobreviventes daqueles crimes, considerados crimes contra a humanidade e são merecedoras do opróbrio e da vergonha de toda a sociedade brasileira”, diz a representação, assinada pelo presidente da ONG ABC sem Racismo, o jornalista Dojival Vieira.
A representação endereçada à promotora Fernanda Leão, coordenadora do Grupo de Inclusão Social do Ministério Público do Estado de S. Paulo, pede a instauração do procedimento administrativo, bem como a adoção de todas as medidas cautelares que o caso exigir.
Nota da Redação
À propósito da matéria “Grupo de defesa animal ofende memória de negros e judeus” e da reação do grupo citado, a Afropress reitera o seguinte:
1 – nos associamos às manifestações de repúdio a qualquer ato de crueldade contra qualquer ser vivo, seja ele humano ou não, por uma boa e simples razão: cruel, dizem os dicionários, é "aquele que se compraz em fazer mal, em atormentar ou prejudicar, cruento; duro, insensível, desumano”;
2 - entretanto, rejeitamos, recusamos e repudiamos com igual veemência, as disparatadas teses que pretendem colocar no mesmo patamar animais irracionais e seres humanos. Ao fazê-lo, seus defensores, tenham a motivação que tiverem – filosófica, política, religiosa, ou seja lá qual for – apenas conseguem uma coisa: humanizam animais irracionais e desumanizam seres humanos.
3 – Igualmente repelimos a associação que o referido grupo – sob o pretexto de condenar maus tratos aos animais – faz com sofrimentos infligidos a seres humanos, no caso, precisamente negros e judeus, vítimas das mais hediondas atrocidades, nos dois eventos que envergonharão para sempre a espécie humana, a saber: o escravismo genocida, responsável, durante quase quatro séculos, por um número incontável de mortos; e o nazismo, que sacrificou fria e calculadamente cerca de 6 milhões de judeus nos horrores do holocausto;
4 – Assim sendo, a associação dos referidos eventos com o sacrifício dos animais para consumo humano, constituem uma agressão inaceitável à memória de milhões de seres humanos negros e judeus, aos seus descendentes e à sua história;
5 – A representação impetrada junto ao Ministério Público do Estado de S. Paulo pela ONG ABC sem Racismo é uma iniciativa equilibrada que apenas busca os mecanismos legais disponíveis pelo Estado brasileiro, para fazer cessar a pregação fundamentalista de quem, em nome da liberdade da expressão, tem o direito de defender qualquer causa, menos uma: a de rebaixar a dignidade humana e desumanizar a vida.
Dojival VieiraJornalista Responsável pela Afropress - Agência Afroétnica de Notícias
PELO FIM DO ESPECISMO - FÁBIO PAIVA