10 de ago de 2007

Veganismo - uma questão de plena consciência



Por Fátima Borges

Ainda hoje, surpreendo-me com o espanto que muitas pessoas demonstram quando declaro ser vegan (uma classe de vegetarianos que não consome produtos ou alimentos de origem animal). Tenho a impressão de que pensam estar lidando com uma extraterrena, até me questionam como vivo sem comer carne! Na verdade, penso que eu é quem deveria estar questionando em como podem comer cadáveres? Mas não o faço, até porque sei que os questionamentos são oriundos da má informação, da ignorância e da falta de conscientização que levam ao terrível conceito de que “não podemos viver” sem comer a carne, consumo tão incentivado nas prateleiras dos açougues, dos supermercados e pela mídia.

Confesso que ao me tornar vegan, de início, achei muito trabalhoso ficar lendo os rótulos dos produtos nos mercados para selecionar os produtos que não tivessem ingredientes de origem animal. Mas movida pela determinação de não ser cúmplice dos assassinatos cruéis com os animais e de não contaminar mais meu organismo com os diversos venenos embutidos nos alimentos, segui em frente.

Milhares de pessoas, mundo afora, já aboliram a carne de seus pratos após tomarem conhecimento dos poderosos venenos utilizados na criação de gados e afins, e com isso, estão preservando a saúde de si próprias e a do planeta, já que aos poucos, a conscientização de que a pecuária é uma das maiores culpadas pela degradação do meio ambiente e de que será no futuro próximo a grande causadora da falta de água potável também, vai tomando vulto, finalmente. Inclusive, já foi constatado, tecnicamente, que o desmatamento de áreas imensas para o cultivo de grãos para o gado e para seu pasto poderiam muito bem serem utilizadas para o cultivo de alimentos para matar a fome das crianças famintas do planeta!

Infelizmente, não se faz um trabalho de esclarecimento para a população que ainda pensa que só a carne é capaz de torná-la saudável; ledo engano, é justamente o contrário! Várias doenças graves estão ligadas diretamente ao consumo da carne! É preciso que a grande população saiba que os vegetais, as leguminosas, os cereais e as frutas são os maiores responsáveis por uma saúde equilibrada e onde podemos encontrar em abundância os elementos principais para uma vida sadia, pois proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, sais-minerais, fibras e muito mais são encontradas fora da carne. Os alimentos derivados do trigo, como, por exemplo: o pão e o macarrão são fontes de proteínas, carboidratos, vitaminas, ferro, zinco, além das fibras vegetais. Diria: bom, bonito e barato!

Se observarmos o porte dos bois, dos elefantes e dos cavalos veremos que não é a carne que os faz tão majestosos. Todos são vegetarianos! Se você quer adquirir proteína, consuma, além dos alimentos citados acima, o grão de bico, o arroz, o feijão, a soja, o amendoim, o brócolis, a batata, o pão, o espinafre, as leguminosas, aveia, etc. As proteínas existem em fartura na natureza! Não é necessário ser conivente com a morte de outros seres vivos para continuar vivendo. Se todos tivessem a chance de ver como esses animais vivem e são abatidos, tenho certeza de que a visão de suas tripas ensangüentadas e de seus gritos de dor, enquanto pendurados, retalhados e queimados fariam o ser humano abolir definitivamente a morte de seus pratos!

Hoje, quase 6 anos após a minha determinação de não viver à custa do sofrimento de outros seres, sento à mesa com muita satisfação, pois ser vegan, para mim, é uma questão de solidariedade ao próximo - homem ou animal. É uma questão de respeito às gerações futuras, é contribuir para a erradicação da fome no planeta, é proteger o meio ambiente e, sobretudo, livrar os animais das barbaridades que lhes são impostas em nome da ganância e da insensatez humana!

A autora, Fátima Borges, é vice-presidente da ONG Defesa Animal e Ambiental com Apoio Jurídico (DAAJ).


2 comentários:

Raquel disse...

Matéria extremamente esclarecedora! São informações que mostram que cada pessoa com seu estilo de vida pode e deve, com certeza, mudar o cenário de horror e sofrimento que os animais são submetidos a viver para o intolerante prazer dos humanos.

Carolina disse...

Não estou aqui para criticar sua escolha ou tentar convencê-la da minha mas gostaria de deixar minha opinião. Sou bióloga e amo os animais, portanto respeito por eles não é um argumento válido, os respeito e entendo perfeitamente.
O maior erro de seu texto é a linguagem pseudocientífica usada. Como você usou o exemplo dos bos e elefantes, perceba que o porte desses animais herbívoros é completamente diferente do nosso. Não existe nenhum primata que se alimente exclusivamente de plantas. E acho que você concorda que não há muitas diferenças fisiológicas entre nós (na minha opinião não há muitas diferenças em geral, mas isso é outra discussão). O ser humano não é carnívoro, estamos em um nível intermediário dessa escala.
Acho que outro ponto importante é o fato de que não possuimos todos os aminoácidos necessários para fornecer intermediários do ciclo de Krebs (uma das maiores vias metabólicas de animais)e estes não podem ser absorvidos em quantidade suficiente com veganismo. A fisiologia humana envolve a ingestão de carne.
Como disse, não quero te convencer a nada, mas acho que você deveria se informar em lugares mais confiáveis antes de escrever algo com tanta certeza. Obrigada pela atenção.