28 de mai de 2007

Lar Transitório para os Esquecidos de Embu-Guaçu















Foto: Vereador Aurélio Miguel alimentando Bandido

"... que os relinchos e os esgares destes mal afortunados se percam no lodaçal onde rastejam, como silvos de répteis que saúdam o vôo sereno da águia que passa nas alturas, sem ouvi-los”.(José Engeñeros, autor de "O Homem Medíocre")
Esquecidos sim. Renegados por uma sociedade que só prioriza o que "dá lucro", o que "é rentável". Eles são vítimas indefesas da selvageria inelutável, da ganância inexorável, da estupidez sem limites, da crueldade e do egoísmo da humanidade. Não nos oferecem ganhos monetários e, por isso, estão lá num abrigo em Embu-Guaçu, ora num calor insuportável, ora num frio tão cruel como a solidão mórbida a que foram condenados sem processo judicante, sem defesa, sem crime. Ainda vivem naquele local onde mais de 1500 cães e gatos morreram, abandonados à própria ventura. Hoje recebem regularmente alimentação, tratamento veterinário ainda não suficiente, e o caseiro procura, no interregno das suas atribuições, brincar com eles: mas são muitos. São sobreviventes que nem possuem consciência que nada significam para a maioria esmagadora dos humanos. Não nos dão dinheiro, ao contrário. Mas oferecem carinho, brincadeiras e um enorme desejo de conviver conosco. Até as contribuições de ração caíram bastante, e a alimentação destes animais abandonados está a cada dia mais onerosa.
As imagens desta página são referentes à inspeção que o Vereador Aurélio Miguel fez ao Lar Transitório que estamos construindo nos arredores de Cotia. A terraplenagem foi executada e as paredes estão prontas: são vinte alojamentos medindo 15 metros quadrados cada, e mais dois alojamentos com 10 metros quadrados cada um. O local receberá cerca de 190 cães, sendo 130 oriundos do “Paraíso dos Animais de Embu-Guaçu”, e o restante das vagas será destinado a alguns animais da Chácara dos Meus Amores, que está lotada. O local ainda carece de piso, de iluminação, das portas, do sistema de coleta de dejetos, da água, das acomodações e recipientes de alimentação, da cerca para a área de passeio. Falta muito. E há a escassez do que eles nunca terão: o carinho, o descansar num sofá "assistindo" televisão com um dono, o passeio de coleira pelos arredores de um lar de verdade. Não terão estas coisas, pois somos impotentes para lhes dar o que eles mais querem. Estamos contentes pelo andamento da obra? Não. Batizamos o local como Lar Transitório porque o nossa disposição é propiciar a adoção dos animais. Mas realmente não acreditamos nisto, ou seja, na doação na plenitude. Muitos destes animais ficarão desprezados e sem dono até fim das suas vidas. Não há motivos para comemoração.
A citação em epígrafe, recebemo-la de uma protetora que, certa vez, em solidariedade, nos escreveu. É uma citação oportuna para este momento, pois continuamos firmes na nossa jornada, ignorando a especulação dos que desde o início não acreditaram na nossa disposição e, com mexericos, procuraram macular o nosso trabalho a favor da proteção animal, colocando em dúvida até a nossa idoneidade. Vamos prosseguir com maior vigor ainda, em que pese todas as desilusões encontradas, e agradecemos a todos aqueles que de maneira incondicional têm apoiado o nosso trabalho.
José Jantália

Um comentário:

Julie disse...

Muito legal isso, né!
Espero que outros possam seguir o exemplo do Aurélio!
Abraços