25 de nov de 2006

25 de novembro DIA MUNDIAL SEM CARNE (Meatless Day)
















Cinema vegetariano
Com “Fast food nation”, de Richad Linklater, e o novo e quase mudo documentário “Our daily bread”, de Nikolaus Geyrhralterm, os espectadores mais refinados talvez nunca mais queiram comer. Stuart Klawans, o excelente crítico do “Nation”, comparou “Our daily bread” com “2001: Uma odisséia no espaço”, de Stanley Kubrick, enquanto eu me lembrei de “Matrix”. Uma difernça geracional, eu suponho. Qualquer que seja sua escolha de similares na ficção científica, o filme de Geyrhalter é um estudo assustador, sem entrevistas e em widescreen sobre a produção industrial de alimentos.
Sim, muito do filme é perturbador: nós vemos vacas, porcos e galinhas trucidados, girassóis banhados pro agrotóxicos, salmões de criação sugados por uma enorme mangueira, tomates e pimentas colhidos por veículos robotizados. Seja qual for sua conclusão sobre essa história, a parte realmente inquietante é a presença de humanos - quase sem expressão em suas roupas de astronauta e botas de borracha - movendo-se nessa perfeita, anti-séptica paisagem de morte. Nesta semana, estrearam nos Estados Unidos dois filmes que atacam frontalmente os métodos da indústria alimentícia – analisados pelo crítico Andrew O’Hehir na revista eletrônica Salon. A maior produção é “Fast food nation” (”A nação do fast food”), de Richard Linklater (”Antes do amanhecer”), adaptação livro do best seller homônimo de Eric Schlosser sobre os podres (muitas vezes literais) das grandes cadeias de lanchonetes americanas. Em um certo sentido, é um complemento ficcional a “Super size me - A dieta do palhaço”, o documentário de Morgan Spurlock sobre os malefícios da comida do McDonalds.
Na trama, o relações-públicas de uma dessas empresas (Greg Kinnear) tenta contornar os danos de imagem causados por uma pesquisa que aponta uma grande quantidade de coliformes fecais de seus hambúrgueres. Mas a metralhadora giratória do filme atinge também assuntos como a exploração de imigrantes nas lanchonetes, a epidemia de obesidade infantil e a promíscua relação de Hollywood com as redes de fast food (tema de uma boa reportagem do “Los Angeles Times”).
Mas o filme mais interessante parece ser mesmo “Our daily bread” (O pão nosso de cada dia), do austríaco Nikolaus Geyrhralterm. O documentário reúne cenas da produção industrial de alimentos na Europa, que impressionam tanto pelo uso intensivo da tecnologia quanto pela indiferença dos trabalhadores em relação ao sofrimento dos animais.
“Our daily bread” confia exclusivamente no poder de suas imagens. Não há entrevistas, nem trilha sonora. O filme foi definido como o “2001″ da produção de alimentos, por suas imagens futuristas e assépticas, mas lembra muito também “Koyaanisqatsi” (1982), de Godfrey Reggio, pela coleção de cenas de grande força visual, que prescindem das palavras. Para entender o conceito, vale a pena ver os quatro trechos do filme reunidos aqui.
http://www.ourdailybread.at/jart/projects/utb/website.jart?rel=en&content-id=1130864824948
“Fast food nation” e “Our daily bread” são importantes por conscientizar o público sobre a forma como são criados, mortos e vendidos os animais que comemos. Nem todos seus espectadores se converterão ao vegetarianismo, mas muitos pensarão duas vezes antes de comer o próximo bife. Os dois fazem parte de uma série de filmes que elegeram a qualidade dos alimentos e a crueldade com os animais como seu tema central. No mês passado, por exemplo, foi realizado na Nova Zelândia o primeiro Festival do Filme Vegetariano.
No Brasil, o principal representante desse movimento é o filme “A carne é fraca”, produzido pelo Instituto Nina Rosa, que dá bons motivos ambientais, de saúde e de respeito aos animais para se tornar um vegetariano. O filme pode ser comprado no site do instituto, alugado em locadoras ou visto na íntegra, dividido em seis partes, no YouTube. Apesar da simplicidade da produção, o filme foi responsável pela conversão ao vegetarianismo de diversas pessoas, principalmente por causa das cenas de matança de animais.
por RICARDO CALIL

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