22 de set de 2006

FIM DOS MATADOUROS DE CAVALOS NOS ESTADOS UNIDOS















Por Rafael Corrêa*
e-mail: rcorrea@oeco.com.br
Por 263 votos contra 146, a House of Representatives do Congresso dos Estados Unidos decidiu banir de vez do país os matadouros de cavalos. A decisão atendeu aos anseios de celebridades e de entidades como a National Thoroughbred Racing Association, que reúne apaixonados por puros-sangues de corrida, que protestavam mostrando fotos de cavalos ensangüentados e machucados a caminho dos matadouros. Do outro lado da disputa, a Administração Bush e os veterinários, que acreditam ser este o melhor fim para cavalos velhos ou doentes, que tenham se tornado um fardo para seus donos e que se não fossem sacrificados acabariam sendo abandonados para morrer de fome.
Aqueles que apóiam a decisão alegam que a prática é uma das mais desumanas e brutais dos Estados Unidos nos dias de hoje. Essa é a opinião do representative republicano John Sweeney. Ele afirma que para os americanos a morte de cavalos é muito mais brutal dos que a morte do gado ou de galinhas, já que os americanos consideram os cavalos seus companheiros “e até atletas, como os puros-sangues” e não como comida.
Seu colega de casa, o democrata John Spratt concorda: “Eles [os cavalos] são tão próximos dos seres humanos quanto um animal pode ser”. Da mesma opinião é o republicano Christopher Shays, que diz que “a forma como uma sociedade trata os seus animais, particularmente os cavalos, traduz os mais profundos valores e morais dos seus cidadãos”, criticando, provavelmente sem saber, os valores morais de boa parte da Europa e da Ásia.
Isso me lembra um episódio ocorrido quando eu tinha cerca de 7 anos, em uma viagem que fiz à Europa com os meus pais. Nós havíamos feito uma caminhada e passaríamos a noite em um refúgio de montanha no norte da Itália, não me lembro exatamente aonde. Naquela noite, o sujeito que cuidava do refúgio serviu para o nosso grupo, como aperitivo, um salame. Na mesa, um dos que nos acompanhava, dizendo-se entendedor dos salames italianos, apressou-se, tal qual um sommelier, a identificar a origem daquele salame com base em seu cheiro e seu sabor. Todos devidamente “impressionados”, o entendedor quis confirmar seu palpite com o curador do refúgio. Recebeu como resposta “Não, não. Isso aí é o meu cavalo, que morreu na semana passada”.
Só em 2005, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, cerca de 88 mil eqüinos foram mortos em abatedouros e exportados para a Europa, Ásia e usados para alimentar animais nos zoológicos norte-americanos. E os que querem que esse quadro continue têm bons argumentos para isso.
Em primeiro lugar, é preciso que se diga que, embora o matadouro não seja um final desejável a ninguém, a lei dos EUA que regula o sacrifício de animais determina que todos devem ser dopados antes do abate, para que não sintam nenhuma espécie de dor. E isso, ao que tudo indica, é bastante controlado. Proibindo-se o abate dos animais nos EUA, as empresas que hoje realizam o serviço provavelmente se mudarão para o México ou para o Canadá onde terão, digamos, mais “liberdade de métodos”. Não é à toa, portanto, que o maior grupo de veterinários do país apóia o sacrifício como uma forma menos cruel de matar os animais doentes ou já imprestáveis para qualquer forma de trabalho.
Biologicamente falando, cavalos e vacas em muito se assemelham, especialmente quando se fala em sensibilidade à dor física e psicológica. Mas, mais habituado a montar do que a ordenhar, o povo se esquece de que o leite das vacas teve tanta ou mais importância na história da humanidade quanto a força dos cavalos. Mesmo assim, grande parte das culturas que consideram o abate de cavalos como algo reprovável ainda castra touros à base de macetes e aplaude de pé os heróis das touradas, muito mais cruéis do que o sacrifício — pelo menos em tese, indolor — agora em vias de extinção.
O banimento, como se vê, foi um ato muito humano. Especialmente no sentido que se apoiou em argumentos que nada têm a ver com o bem-estar dos cavalos em si, mas apenas com a cultura norte-americana, que não agüenta mais ver seus companheiros de caçada aos índios indo para o abatedouro. E, honestamente, duvido que o Senado, que ainda deverá se manifestar sobre a medida, terá uma opinião diferente.

2 comentários:

Anônimo disse...

na minha opiniao primeiramente cavalo nao e comida ,quem come cavalo nao tem cora;ao .pra mim esse bicho merece respeito e carinho ,porque usam cavalos como fonte de renda ,e quando ja nao servem mais ,os entregam pra um matadouro.ISSO e mais q desumano chega ser uma falta de respeito com esses animais.
acredito q eles reconhecem o dono,
porque sao uns animais tao espertos capazes, de aprender o q oser humano os ensina.

ENTAO RESPEITE. DOMESMO JEITO Q
VOCES ENTREGAM UM CAVALO PARA UM MATADOURO , UM DIA SEUS FILHOS PODEM TE ABANDONAR NUM ASILO.

Fabricio Fleuri disse...

Seríamos vegetarianos se gostássemos mesmo tanto assim dos animais. Eu não comeria carne de cavalo, até porque gostaria de não comer nenhuma carne, mas não consigo. Gosto de cavalos tanto quanto gosto de todos os outros animais.
Se tem pessoas que gostam, que comam.