25 de jul de 2006




Revista Época entrevista com o cardiologista John Pippin
O americano é membro do Physicians Committee for Responsible Medicine, grupo de médicos contrários aos experimentos científicos com animais
Época: O senhor já fez pesquisas com animais?
John Pippin: Sim. Em 1986 e 1987, trabalhei com cães na Universidade do Texas, dentro do Southwestern Medical Center.
Época: Como se tornou contrário aos experimentos com animais?
John Pippin: Analisando a pesquisa que eu estava fazendo e estudando as pesquisas que outros fizeram, decidi que aquilo não era certo. Troquei minha pesquisa por um estudo feito em humanos e desde então nunca mais trabalhei com animais. Mas minha oposição aos testes de drogas em animais se desenvolveu algum tempo depois, quando comecei a entender que os métodos usados para aprovar as drogas não preveniam que elas fossem perigosas às pessoas. Os testes feitos em animais não prevêem, de forma razoável, o que vai acontecer quando você der a mesma droga a uma pessoa. Então por que usar animais? Desde então tenho tentado promover outros métodos de pesquisas que não usem bichos.
Época: Por que os testes são ineficazes?
John Pippin: Vou dar um exemplo. O LD-50 (lethal dose) um teste usado em animais para testar drogas e existe há muitos anos. O teste consiste em intoxicar vários roedores para ver a quantidade necessária de uma substância para matar metade dos animais de um experimento. O teste busca determinar qual dose deve ser segura para as pessoas tomarem. E não funciona. Doses que podem ser perigosas para animais não fazem mal a humanos, e o contrário acontece também. A OECD (Organization for Economic Co-operation and Development) uma organização que reúne 30 países, inclusive os EUA e União Européia, removeu suas recomendações para o LD-50, dizendo que ele não era mais necessário. Mesmo assim, muitas empresas ainda utilizam esse teste em seus remédios. O Botox (toxina botulínica, usada em tratamentos estéticos), por exemplo, ainda é testado com LD-50, para verificar se o produto é uma neurotoxina, que prejudica o sistema nervoso.
Época: É possível ter bons resultados em testes que não usem bichos?
John Pippin: Há muitos testes aprovados para analisar os efeitos das drogas na pele, nos olhos. Nos últimos 20 anos testes feitos em animais têm sido substituídos, e com o tempo o número de animais usado em pesquisas médicas caiu tremendamente. Nos anos 70, a estimativa era de que as pesquisas consumiam 40 milhões de animais. Esse número caiu para de 20 a 22 milhões. Mas o uso de animais geneticamente modificados, geralmente camundongos, têm aumentado nos últimos anos. Os testes com animais têm sido tão ruins em prever os efeitos das drogas que os pesquisadores estão começando todo um novo campo de pesquisa em animais, em vez de substituí-las por outros métodos.
Época: Por que tantos pesquisadores dizem que os testes animais de remédios são cruciais? John Pippin: O argumento deles é o seguinte: nós sabemos que os testes em animais não são seguros, mas eles existem há mais de 50 anos e não há testes melhores. O problema é que o modelo animal tem estado em voga por tanto tempo que os cientistas estão muito acostumados e poucos estão dispostos a mudar, a não ser que você mostre a eles que há métodos melhores. De fato há testes em animais para os quais não foram desenvolvidas alternativas. Mas, se você tem um método para identificar drogas, e esse método está falhando, pois só funciona em 10% dos casos, então por que usá-los? Lembre-se de que não há tantos pesquisadores preocupados com testes de drogas – são as companhias farmacêuticas e os médicos que trabalham para elas, da agência regulatória americana, o FDA, que dizem que os animais são necessários para os testes de medicamentos. As empresas só se preocupam em ter seus remédios aprovados.
Época: É possível abolir os testes em animais hoje? Ou precisamos de testes alternativos mais confiáveis?
John Pippin: Penso que devemos eliminar os experimentos com animais e fazer a substituição de forma bem rápida, desenvolvendo as alternativas que ainda não existem. Mas isso não vai acontecer, pois agências regulatórias como o FDA não vão eliminar os testes com animais se não tiverem algo para colocar no lugar. A solução prática é estabelecer um compromisso dos governos semelhante ao da União Européia, que aprovou o banimento dos testes de cosméticos com animais e exigiu que as indústrias os eliminassem por completo até 2009.
No Rio de Janeiro, os deputados aprovaram um projeto de banimento(vetado pelo prefeito César Maia). Os governos devem forçar os cientistas a desenvolver boas alternativas que substituam as pesquisas com animais.

4 comentários:

Anônimo disse...

Here are some links that I believe will be interested

Anônimo disse...

Here are some links that I believe will be interested

Anônimo disse...

I like it! Good job. Go on.
»

Anônimo disse...

Very best site. Keep working. Will return in the near future.
»