18 de jul de 2006
































INDISPENSÁVEL
Imagine a seguinte cena: você visita um restaurante na China e se depara com jaulas lotadas de cães e gatos. Familiarizada com as espécies, se pergunta por que esses animais estariam lá. Um cliente faminto escolhe um gato branco e felpudo, inclusive muito parecido com o seu. Num clique você percebe que aquele ser é o cardápio principal da noite. Antes de ser escaldado em água fervente, o bichano leva pancadas na cabeça e tenta, desesperadamente fugir. A pergunta é: quais direitos esse animal tinha e quais deveria ter? Fazendo uma comparação cultural, esse mesmo gato chinês poderia ser o frango brasileiro, mas alguém se preocupa com a galinha degolada?
Tom Regan, professor norte-americano de Filosofia e um dos maiores nomes da Bioética, faz essas perguntas em Jaulas Vazias - Encarando o Desafio dos Direitos Animais, seu mais recente livro e único lançado no Brasil. Ativista pelos direitos dos animais há mais de 30 anos, Regan atenta em seu título a todas as formas de abuso que animais sofrem por conta de um dos maiores tipos de preconceito, o especismo. Prejulgamento esse que faz o homem considerar sua espécie superior a todas as outras.
Com base puramente moral e ética, o professor questiona todo ato que inflija dor e sofrimento animais, o que nada mais é do que não privá-los dos privilégios usufruídos por todos os animais não-humanos, como direito à integridade física e psicológica. É defendida, então, a destruição das jaulas para que a libertação animal seja feita e estes passem a não mais sofrer a exploração a que são submetidos.
Em uma conversa com o leitor, Regan examina e esclarece as razões fundamentais dos direitos humanos, cruzando-as com os direitos morais que os animais deveriam ter. O autor os coloca no mesmo patamar quanto a 'sujeitos-de-uma-vida' - termo que Regan usa para designar a capacidade de um ser de se importar com o que acontece em sua vida, mesmo que ninguém se importe.
Regan aponta muitas das causas pelas quais os direitos dos animais ainda não foram perpetuados. Porta-vozes da indústria, seja ela da carne ou de experimentos animais, desfrutam do que o autor chama de 'dito-desconexo'. Com discursos decorados, falam o que as pessoas gostariam de ouvir, ou seja, que o tratamento dado é humanitário e o bem-estar animal é prezado. Segundo o autor, esses porta-vozes pintam os defensores dos animais, ou ativistas, como extremistas malucos, que pregam a libertação animal a qualquer custo, nem que para isso atos terroristas sejam envolvidos. Impossível fazer valer uma afirmação dessas, já que direitos animais caminham juntamente aos direitos humanos, e não paralelamente a eles. Infelizmente, esses mesmos pregadores não abrem suas portas para que todos vejam a olho nu o verdadeiro tratamento humanitário, que inclui um abate violento - no caso dos animais para consumo humanos - e produtos químicos corrosivos em olhos de coelhos. Regan salienta que talvez eles até acreditem agir de forma humanitária, mas essa é uma outra história.
Conhecer é poder optar de forma consciente entre o justo e o cruel, diferente de aceitar cegamente os conceitos que a mídia comprada pela indústria passa. Nesse ponto, Jaulas Vazias é uma obra esclarecedora. De forma clara e concisa, Tom Regan discute temas como a caça por esporte, rodeios, touradas, corridas de galgos, manejos animais, indústria do couro, lã e entretenimento, entre muitos outros, que atingirão em cheio o consumidor. Resumidamente, a obra de Regan traz a seguinte mensagem: lutar pela paz é ir ao encontro do especismo, é conviver pacificamente com outras espécies sem julgá-las inferiores ou apenas seres existentes para o prazer humano.
Tom Regan estará presente no 1° Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-americano, que acontecerá entre os dias 4 e 8 de agosto de 2006 no Memorial da América Latina, em São PauloSaiba mais no site da Sociedade Vegetariana Brasileira

2 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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