26 de abr de 2006



















A INUTILIDADE DOS TESTES EM ANIMAIS

6 cobaias humanas britânicas que quase morreram ( com sequelas sérias para o resto da vida) ao receber um medicamento testado por um laboratório norte-americano. O argumento do laboratório é que o medicamento havia sido testado em macacos em doses "milhares de vezes mais altas" e não provocou reações "significativas". Ou seja, mais uma vez fica provado que a prova não prova. É inútil torturar animais em laboratório em nome da "boa ciência".

BRITÂNICOS REPENSAM REGRAS DEPOIS QUE TESTE DE DROGA QUASE MATA SEIS
ELISABETH ROSENTHAL (International Herald Tribune)
Publicado em 8 de abril de 2006 na primeira página do New York Times

Em fevereiro, quando Rob O. viu a mensagem de texto que a Parexel International enviou para seu celular em Londres -- ''procura-se homens saudáveis para teste de medicamento'' por 2 mil libras, cerca de 3.500 dólares – pareceu ser uma oportunidade inofensiva de levantar algum dinheiro tão necessário. A empresa Parexel, baseada em Waltham, Massachusetts (EUA), é contratada por laboratórios para testar novos medicamentos.
Poucas semanas depois, o ex-saudável rapaz de 31 anos estava na UTI do Northwick Park Hospital em Londres – fios e tubos entrando diretamente no seu coração e nas artérias, em diálise, seu sistema imunológico, fígado, rins e pulmões todos falhando – a vítima do teste da droga, desastrosamente mal.
Rob O., um dos seis jovens saudáveis que recebeu o TGN1412, um novo tipo de estimulante imunológico nunca testado em humanos, tomou parte num estudo que está provocando ondas de abalo pelo mundo da pesquisa [farmacêutica] e obrigando agências reguladoras a repensar procedimentos para testar certas novas drogas poderosas.
Embora testes da TGN1412 em macacos não tenham provocado problemas significativos, todas as seis cobaias humanas quase morreram. Uma delas ainda está hospitalizada e as outras, apesar de terem recebido alta, tiveram seus sistemas imunológicos lesados e a recuperação de sua saúde, incerta.
Na quarta-feira [5/4/06], depois de divulgar o relatório preliminar sobre o teste, bem como os documentos científicos até então confidenciais que faziam parte do formulário de consentimento para o teste, o governo britânico anunciou que estava convocando uma comissão internacional de especialistas para ''considerar as mudanças necessárias requeridas para testes clínicos'' para esse tipo de novos componentes.
As conclusões ''potencialmente poderão afetar a regulamentação de testes clínicos mundialmente,'' dizia o anúncio oficial.
Em declarações nesta semana ambos, Parexel e o fabricante da droga, TeGenero, enfatizaram que todo o regulamento requerido foi acatado e os testes conduzidos de acordo com o protocolo aprovado. Mas eles declinaram de responder questões enviadas por email sobre as especificidades científicas envolvidas.
''As empresas trabalharam estritamente de acordo com os padrões aplicáveis a esse tipo de estudos,'' disse Kristin Kaufmann, porta-voz da TeGenero.
Uma hora após tomarem a droga branca e leitosa numa ala de pesquisa da Parexel no hospital em 13 de março, os voluntários estavam racked com tremores, dor e náusea, disse Rob O., que pediu para não ter seu sobrenome divulgado, por temor de ser prejudicado profissionalmente. Um médico informou-lhe que ele estava "seriamente doente.''
''Mas ninguém vai morrer?'' Rob O. lembra-se de ter dito, acreditando que ele estava participando de um teste honesto de um analgésico para artrite.
A resposta arrepiante: ''Dois de vocês. Quem é seu parente mais próximo?''
De fato, TGN1412 é tudo menos padrão. Primeiro produto da TeGenero, uma pequena empresa alemã com apenas 15 funcionários, TGN1412 pertence a uma classe completamente nova de anticorpos manufaturados que, os pesquisadores achavam, poderia revolucionar o tratamento da leucemia e artrite reumatóide.
Agora, a TGN1412 parece que vai entrar para a história médica como um abacaxi farmacêutico, o teste desastroso levantando sérias questões sobre se a segurança do paciente está adequadamente protegida na lucrativa corrida para colocar produtos no mercado.
A Agência Reguladora Britânica de Saúde e Produtos Medicinais [The British Medicine and Healthcare Products Regulatory Agency], que aprovou o teste no Hospital de Northwick Park, anunciou quarta-feira que ''o modo como o teste foi conduzido'' não contribuiu para lesar os pacientes, de acordo com investigações preliminares. Os rapazes vivenciaram a síndrome da liberação de cytokine, que envolve um derramamento de moléculas tóxicas quando as células T do sistema imune são ativadas, dizia o relatório; isso não poderia ter sido previsto a partir de estudos anteriores usando a droga em animais, concordam a Agência, TeGenero e Parexel.
Mas os regulamentadores britânicos deram um passo adicional altamente incomum ao solicitar uma comissão de especialistas para estudar se mais stringent salvaguardas devem ser requeiridas para testar novas drogas biológicas como a TGN1412, que manipulam o sistema imune.
Muitos especialistas dizem que, por conta da característica única da TGN1412 ser tornar potente as células T do sistema imunológico, overriding os mecanismos regulatórios normais, os testes clínicos foram extraordinariamente arriscados. ''Havia fortes razões para ser muito cautelosos,'' disse Dr. Michael Ehrenstein, da University College de Londres, que estuda as moléculas que a TGN1412 afeta. ''Muita gente diria que foi uma estratégia de altíssimo risco. E eu teria concordado com isso.''
Michael Goodyear, um oncologista canadense e médico eticista, disse que ainda que o teste não fosse ilegal ou anti-ético, o protocolo de pesquisa e a conduta no dia do teste levantou ''uma série de grandes bandeiras vermelhas.''
As preocupações do Dr. Goodyear e dos advogados pelas questões levantadas incluem:
Rob O. começou a receber a droga por meio intravenoso muito depois que o primeiro voluntário já apresentava sintomas possivelmente sérios o suficiente para suspender o teste. A prática padrão para tais testes é usar apenas um paciente ou intervalar os testes em vários dias.
A informação submetida pela TeGenero aos reguladores britânicos mencionava que o derramamento de cytokine ''poderia ocorrer'' depois de ministrar a TGN1412. Mas na sua aplicação, pesquisadores julgaram a reação ''inesperada'' com base em testes realizados com uma única espécie animal, e não mencionaram o risco aos voluntários, Rob O. said.
No website da Parexel consta: ''Dentre todas as tarefas, a única que importa é a de acelerar os procedimentos clínicos para o seu produto.'' O texto chama a atenção para o fato de que as licenças para testes com drogas são mais rápidas de obter na Grã-Bretanha do que nos Estados Unidos e as compensações financeiras por danos, menores.
Rob O. disse que a peculiaridade da TGN1412 nunca constou dos briefings otimistas a que ele teve acesso antes dos testes: ''Eu não tinha idéia de que ela alterava o sistema imune.''
Os primeiros testes em humanos são arriscados e eticamente complexos. Eles são destinados a determinar se um componente é seguro, não para comprovar um benefício da droga. Tais testes devem ser aprovados por agentes reguladores oficiais bem como por comissões de ética médica, embora os padrões sejam um tanto variáveis em diferentes países e mesmo entre diferentes comissões.
''A pesquisa é um bem para a sociedade – precisamos de tratamentos melhores para leucemia e artrite – mas há riscos,'' disse o Dr. Ezekiel J. Emanuel, chefe de bioética dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos [United States National Institutes of Health]. ''Trabalhar na construção civil é muito arriscado, e pagamos pessoas para isso. Então, por que não pagar pelos testes?''
Notando que o teste com a TGN1412 foi aprovado por duas diferentes comissões reguladoras britânicas e que a droga havia sido testada em animais, ele disse: ''Esse é um evento terrível, trágico, mas não consigo ver nenhum problema ético claro.''
Os voluntários submetidos aos testes, que deveriam ficar internados três dias no hospital, eram na maioria imigrantes, alguns estudantes ou desempregados.
''Não era gente que estava bem de vida,'' disse Martyn Day, do escritório de advocacia londrino Leigh Day & Company, que está representando quatro dos rapazes. ''Eles pensaram que era uma coisa relativamente sem riscos.''
Na reunião para orientação foi concedido pouco tempo para ler as 11 páginas do formulário para consentimento, disse Rob O., embora eles pudessem levá-lo para ler em casa. Dores de cabeça e equimose estavam listados como potenciais efeitos colaterais, bem como alergia severa. Mas comer amendoins ou usar novos cosméticos pode criar reações similares, dizia o formulário.
De fato, os chamados anticorpos monoclonais frequentemente provocam sintomas generalizados severos como dores e calafrios, embora seu uso seja justificado pelo grande benefício potencial. ''No meu hospital quase matamos gente nas primeiras poucas vezes em que usamos Herceptin,'' disse Dr. Goodyear, se referindo à popular droga contra câncer de mama, acrescentando que agora ele trata antecipadamente os pacientes com remédios para conter possíveis reações.
Parexel solicitou licença para testar a TGN1412 na Inglaterra e na Alemanha em dezembro, recebendo permissão da Inglaterra antes, em 27 de janeiro. Muitos países facilitam os procedimentos para atrair pesquisa biomédica, uma estratégia que agora deve ser revertida aqui, disse Dr. Goodyear.
Não ficou claro se imunologistas independentes acompanharam a metodologia do teste, e nem a Parexel ou a TeGenero responderam essa questão.
O teste começou na segunda-feira, 13 de março, às 8 horas da manhã, quando os rapazes começaram a receber a TGN1412, com 10 minutos de intervalo um após outro. Em meia hora o primeiro paciente apresentava dor de cabeça e calafrios, disse Ann Alexander, a advogada londrina que o representa. Apesar disso, os médicos continuaram a injetar a droga nos outros pacientes. Nesse momento, 9:10, quando começou a aplicação em Rob O., o primeiro paciente desmaiou no quarto adjacente, de acordo com Ann Alexander.
Em pouco tempo, disse Rob O., ele começou a sentir dores e a tremer, como se tivesse "submergido no gelo ártico". Pelo resto do dia, seis homens anteriormente saudáveis gemeram com dor incontrolável, vomitaram e lutaram para respirar, disseram Rob O. e outros participantes. Embora uma dose de esteróides tenha bloqueado temporariamente os sintomas, os sinais vitais deles deterioraram com regularidade, e eles foram transferidos para a UTI.
Dois deles foram postos diante de ventiladores. Homens uniformizados circulavam em torno de máquinas de filtragem sanguínea, recorda-se Rob O., para eliminar ácido do sangue. Médicos lhe disseram que suas células imune estavam atacando seus órgãos.
Às 3 horas da manhã os familiares dos pacientes estavam reunidos no hospital.
Nas declarações públicas, Parexel e TeGenero chamaram as reações de ''imprevistas e inesperadas,'' notando que doses centenas de vezes mais altas se provaram seguras em animais.
O pedido de licença para os testes feito às autoridades britânicas – publicado esta semana em resposta à solicitação do Ato pela Liberdade de Informação [Freedom of Information Act] – mostrou que as empresas no mínimo já haviam constatado a possibilidade de uma reação devastadora do sistema imune, e que estudos feitos com animais mostraram alguns sinais de sobrecarga do sistema imune.
Essa preocupação foi deixada de lado quando macacos que tiveram a TGN1412 injetada não apresentaram problemas. Apesar de a equipe técnica da Parexel continuar a transfundir sangue na UTI, as empresas não se dispuseram a divulgar os boletins médicos nem a dar satisfação aos participantes e seus advogados, disse, Mr. Day, um deles.
Agora, com seu sistemas imunológico essencialmente desabilitado, Rob O. diz que não pode trabalhar, nem mesmo tomar o metrô, por medo de infecção. Os testes em seu fígado e rins mostram que eles ainda estão anormais. O National Health Service, sistema britânico de saúde, cobre suas despesas médicas, mas ele tem que pagar 87 dólares pelo táxi.
Pelas leis britânicas, Rob O. deve receber apenas entre 50.000 e 70.000 dólares como compensação, disse Mr. Day, a menos que ele apresente sequelas permanentes. De qualquer modo, o seguro da pequena TeGenero cobre apenas de 3.5 milhões de dólares.
Os advogados das vítimas esperam conseguir compensação financeira e revelação completa das informações médicas sobre a droga sem a necessidade de ir aos tribunais.
''Não posso acreditar que ninguém vai pagar e ninguém vai ser punido,'' disse Rob O. ''Se eu perdi 20 anos de vida já que meu fígado vai falir aos 60 e não aos 80, quem vai cobrir isso?''
*TEXTO TRADUZIDO POR CRISTINA CARLETTI


British Rethinking Test Rules After Drug Trial Nearly Kills 6

By ELISABETH ROSENTHAL (International Herald Tribune) 1704 wordsPublished: April 8, 2006In February, when Rob O. saw the text message from Parexel International pop up on his cellphone in London -- ''healthy males needed for a drug trial'' for £2,000, about $3,500 -- it seemed like a harmless opportunity to make some much-needed cash. Parexel, based in Waltham, Mass., contracts with drug makers to test new medicines.
Just weeks later, the previously healthy 31-year-old was in intensive care at London's Northwick Park Hospital -- wires running directly into his heart and arteries, on dialysis, his immune system, liver, kidneys and lungs all failing -- the victim of a drug trial gone disastrously bad.
One of six healthy young men to receive TGN1412, a novel type of immune stimulant that had never before been tried in humans, Rob O. took part in a study that is sending shock waves through the research world and causing regulators to rethink procedures for testing certain powerful new drugs.
Although tests of TGN1412 in monkeys showed no significant trouble, all six human subjects nearly died. One is still hospitalized and the others, though discharged, still have impaired immune systems, their future health uncertain.
On Wednesday, after releasing its interim report on the trial as well as previously confidential scientific documents that were part of the application for a trial permit, the British government announced it was convening an international panel of experts to ''consider what necessary changes to clinical trials may be required'' for such novel compounds.
The outcome ''could potentially affect clinical trials regulation worldwide,'' the announcement said.
In statements this week, both Parexel and the drug's manufacturer, TeGenero, emphasized that they had complied with all regulatory requirements and conducted the trial according to the approved protocol. But they declined to answer questions e-mailed to them about the specifics of the science involved.
''The companies have worked according to strict standards applicable for such type of studies,'' said Kristin Kaufmann, a spokeswoman for TeGenero.
Within an hour of receiving the milky white drug in a Parexel research ward in the hospital on March 13, the volunteers were racked with chills, pain and nausea, said Rob O., who asked that his last name not be used, for fear that he might be hurt professionally. A doctor informed him he was ''seriously ill.''
''But no one's going to die?'' Rob O. recalled saying, believing he was participating in a fairly standard trial of a painkiller for arthritis.
The chilling response: ''Two of you might. Who's your next of kin?''
In fact, TGN1412 is anything but standard. The first product of TeGenero, a tiny German company with just 15 employees, TGN1412 belongs to a completely novel class of manufactured antibodies that researchers thought could revolutionize the treatment of leukemia and rheumatoid arthritis.
Now, TGN1412 seems poised to go down in medical history as a pharmaceutical lemon, its disastrous trial raising serious questions about whether patient safety is adequately protected in the lucrative race to get products to market.
The British Medicine and Healthcare Products Regulatory Agency, which approved the trial at Northwick Park, announced Wednesday that ''the way the trial was run'' had not contributed to patient injuries, according to its preliminary investigation. The men experienced cytokine release syndrome, which involves an outpouring of toxic molecules when the immune system's T cells are activated, the report said; it could not have been predicted from previous animal studies using the drug, the association, TeGenero and Parexel agree.
But British regulators took the highly unusual additional step of appointing an expert panel to explore whether more stringent safeguards should be required for testing new biological drugs like TGN1412 that manipulate the immune system.
Many experts say that because TGN1412's unique property is to turn on potent, immune system T cells, overriding normal regulatory mechanisms, the clinical trials were extraordinarily risky. ''There was strong reason to be very cautious,'' said Dr. Michael Ehrenstein, of University College London, who studies the molecules that TGN1412 affects. ''Many people would say this was a very high-risk strategy. I'd have to agree with that.''
Michael Goodyear, a Canadian oncologist and medical ethicist, said that even if the trial was not illegal or unethical, the research protocol and conduct on the day of the trial raise ''a number of big red flags.''
The concerns Dr. Goodyear and lawyers for the subjects raised include these:
Rob O. began receiving the drug intravenously long after the first volunteer was already experiencing symptoms possibly serious enough to halt the trial. Standard practice for such trials is to use just one patient or to separate tests by many days.
The information submitted by TeGenero to British regulators mentioned that a cytokine burst ''could occur'' after TGN1412 infusion. But in their application, researchers deemed the reaction ''not expected'' on the basis of trials with a single animal species, and did not mention this risk to the recruits, Rob O. said.
On its Web site, Parexel says, ''The only services that matter are the ones that speed your product through clinical development.'' The subjects point out that approvals for drug trials in Britain are quicker than in the United States and the liability for injuries is less.
Rob O. said the novelty of TGN1412 never came up in upbeat pretrial briefings, adding, ''I had no idea it altered the immune system.''
The first human trials are risky and ethically complicated. They are designed to determine whether a compound is safe, not to provide a benefit to the subject. Such human trials must be approved by national regulators as well as medical ethics boards, though standards vary somewhat among countries and even among different panels.
''Research is a social good -- we need better treatments for leukemia and arthritis -- but there are risks,'' said Dr. Ezekiel J. Emanuel, chief of bioethics at the United States National Institutes of Health. ''Being a construction worker is very risky, and we pay people to do that. So why not this?''
Noting that the TGN1412 trial had been approved by two separate British regulatory bodies and that the medicine had been tested in animals, he said, ''This is a terrible, tragic event but so far I don't see any clear ethical problems.''
The trial subjects, who were to spend three days as hospital inpatients, were mostly immigrants, some of them students or unemployed.
''These were not people who were well off,'' said Martyn Day, of the London law firm Leigh Day & Company, which is representing four of the men. ''They thought this was relatively risk free.''
At the orientation meeting there was little time to read the 11-page consent form, Rob O. said, although they had a chance to take it home. Headaches and bruising were listed as potential side effects, as well as a severe allergy. But eating nuts or using new cosmetics could create similar reactions, the form said.
In fact, so-called monoclonal antibodies frequently produce severe generalized symptoms like aches and chills, though their use is justified by the enormous potential benefit. ''At my hospital, we almost killed people the first few times we used Herceptin,'' said Dr. Goodyear, referring to the popular breast cancer drug, adding that he now pretreats patients with medicines to counter possible reactions.
Parexel applied to test TGN1412 in both England and Germany in December, receiving permission in England first, on Jan. 27. Many countries are streamlining review processes to attract biomedical research, a strategy that may have backfired here, Dr. Goodyear said.
It is not clear if independent immunologists reviewed the trial design, and neither Parexel nor TeGenero answered this question.
The trial began Monday, March 13, at 8 a.m., when the men began receiving TGN1412, each 10 minutes after the last. Within half an hour, the first patient had a headache and chills, said Ann Alexander, a London lawyer who is representing him. Nevertheless, doctors continued injecting new patients. About the time Rob O.'s infusion started, at 9:10 a.m., the first patient had passed out in an adjacent room, according to Ms. Alexander.
Before long, Rob O. said, he began to ache and shiver, feeling as if he had been ''submerged in arctic ice.'' For the rest of the day, six previously healthy men moaned in uncontrollable pain, vomited and struggled for breath, Rob O. and other participants said. Though a dose of steroids temporarily blunted the symptoms, their vital signs steadily deteriorated, and they were transferred to the intensive care unit.
Two of them were placed on ventilators. Uniformed men wheeled in blood filtering machines, Rob O. recalled, to cleanse the blood of acid. Doctors told him that his immune cells were attacking his organs.
The patients' families were summoned to the hospital at 3 a.m.
In statements, Parexel and TeGenero called the reactions ''unforeseen and unexpected,'' noting that doses hundreds of times more powerful had proved safe in animals.
The experimental application filed with British authorities -- released this week in response to a Freedom of Information Act request -- showed that the companies at least realized the possibility of a devastating immune-system reaction, and that animal studies showed some signs of immune overdrive.
Those worries were set aside when monkeys infused with TGN1412 had no problems. Although Parexel technicians continued to draw blood in the intensive care unit, the companies have not been willing to share the medical data or even meet with the participants and their lawyers, Mr. Day, the lawyer, said.
With his immune system now essentially disabled, Rob O. says he cannot work, or even take the subway, for fear of infection. His liver and kidney tests are still abnormal. Britain's National Health Service covers his doctor's bills, but he has to pay the $87 cab fare.
Under British law, Rob O. may be eligible only for $50,000 to $70,000 in compensation, said Mr. Day, unless he can demonstrate permanent harm. Anyway, tiny TeGenero took out only a $3.5 million insurance policy to cover the trial.
Lawyers for the subjects are hoping to arrange for financial compensation and full disclosure of medical information on the drug without having to go to court.
''I can't believe that nobody will pay and nobody will be punished,'' Rob O. said. ''If I've lost 20 years of life because my liver packs in at 60 rather than 80, who will cover that?''







Um comentário:

NatyVegan disse...

Faço faculdade de Medicina Veterinária, e estou lutando para não precisar ter aulas com animais. Não vou conseguir. Se tiver, CLARO, não vou participar.

Vivissecção é a forma de crueldade mais egoísta que o ser humano inventou. Aliás, todo tipo de exploração animal é egoísta. Mesmo com a desculpa: ''mas isso é bom pro animalzinho... descobrimos remédios na medicina veterinária por conta das experimentações''.
Faça-me o favor!